Confetam/CUT exige punição da Vale pela tragédia de Brumadinho

28/01/2019 - 18:08

Apenas 22 das 450 barragens existentes em MG têm garantia de estabilidade. Órgão nacional responsável por fiscalização tem 36 servidores para monitorar 790 barragens de rejeitos de mineração no Brasil

A Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal (Confetam/CUT) manifesta o mais profundo pesar pela morte de 84 pessoas e o desaparecimento de outras 276, vítimas da irresponsabilidade e da omissão da Vale do Rio Doce e do poder público, respectivamente, que resultaram no rompimento de barragem na Mina do Córrego do Feijão, no município de Brumadinho (MG).

Três anos depois de tragédia semelhante em Mariana (MG), nesta sexta-feira (25) outro vazamento de toneladas de lama poluente de rejeito de minério da Vale se repetiu, destruindo o rio Paraopeba e devastando criminosamente grande parte do ecossistema e da economia da Região.

Não bastasse a gravidade das perdas, familiares e amigos de vítimas e de desaparecidos ainda têm de enfrentar a falta de informações e de apoio da Vale, empresa responsável por mais um crime ambiental previamente anunciado pelos movimentos sociais.  

A Confetam/CUT se soma às vozes que exigem explicações e se irmana àqueles que cobram não só indenização às famílias prejudicadas, como também a responsabilização penal da empresa, para evitar que novos desastres se repitam. Atualmente, apenas 22 das 450 barragens existentes em Minas Gerais têm garantia de estabilidade.

Para se ter uma ideia da imensidão do risco de novos arrombamentos, basta dizer que a Agência Nacional de Mineração, órgão responsável pela fiscalização, tem apenas 36 servidores aptos a monitorarem as 790 barragens de rejeitos de mineração no Brasil. Os dados ficam ainda mais preocupantes quando lembramos de que após a privatização, em 1997, os acidentes ambientais e de trabalho na Vale se multiplicaram por mil.

Em respeito a todas as vítimas de Brumadinho, grande parte delas trabalhadoras e trabalhadores da empresa, a Confetam/CUT reforça a necessidade da responsabilização penal da Vale do Rio Doce, sem a qual não será feita justiça aos mortos de mais uma tragédia anunciada no país.

Fortaleza, 28 de janeiro de 2019.

Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal - Confetam/CUT