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Contra a volta às aulas sem segurança, Greve da Educação pela Vida prossegue em São Paulo

Uma faixa de 50 metros foi estendida embaixo da janela do gabinete do prefeito contra o retorno das aulas presenciais. Um Fundo de Greve foi lançado para ajudar quem teve o salário cortado por Covas

Escrito por: Sindsep/SP • Publicado em: 12/04/2021 - 18:35 • Última modificação: 12/04/2021 - 19:00 Escrito por: Sindsep/SP Publicado em: 12/04/2021 - 18:35 Última modificação: 12/04/2021 - 19:00

Danilo Santana Manifestantes estenderam faixa de 50 metros no Viaduto do Chá

Profissionais da Educação Municipal estiveram na manhã desta segunda (12) em protesto contra decisão do prefeito Bruno Covas em retomar as aulas presenciais mesmo diante de hospitais cheios, sem leitos de UTI e enfermarias. No domingo, foram registradas mais de 500 mortes por Covid em 24h, mas nesta segunda o governo regrediu a fase emergencial para a vermelha, que inclui entre outras medidas aulas presenciais.

A Greve na Educação pela Vida completou 62 dias denunciando a prefeitura, que ameaça conduzir trabalhadores a um retorno sem condições de segurança sanitária para a vida de estudantes e profissionais da educação. “Em 62 dias de greve o prefeito Covas não conseguiu escutar a gente, quem sabe com 200 metros quadrados de faixa ele entende: é greve pela vida”, ironizou a professora do CEU Butantã, Lira Ali, referindo-se à faixa de 50 metros de largura estampando a frase: “Covas Genocida”. O ‘faixaço’, feito pelos comandos de greve e Sindsep, foi afixado no Viaduto do Chá, a alguns metros da janela do gabinete do prefeito.

Sabrina Teixeira, professora da EMEF CEU Butantã, que integra o Comando de Greve do Butantã anunciou que a greve continua. “É impossível ter retorno das aulas presenciais em meio a esse descontrole da pandemia. O que precisamos nesse momento é vacina para todo mundo, teste RT-PCR para saber quem está doente e precisa ser isolado, além do rastreamento dos casos assintomáticos. Somente isolando o vírus é que a gente vai conseguir caminhar para o controle da pandemia. Enquanto não tiver condições sanitárias, a curva de mortes e casos estiver no alto, vamos seguir protegendo vidas, porque a nossa greve é pela vida e condições de trabalho”, justificou.

Jaelson, supervisor escolar da DRE do Campo Limpo, criticou a limitação da vacinação para a retomada das aulas presenciais. “Há uma janela de pelo menos 15 dias para se ter imunidade após a 1ª dose da vacina, segundo os cientistas, e o Bruno e o Doria já querem que funcione tudo. Não é possível, a situação é gravíssima, a pandemia não está cedendo e se tiver o retorno das aulas presenciais ai que irá aumentar”, avalia o educador ao enfatizar que o protesto busca também conscientizar população e os governantes sobre o “óbvio”.

A falta de leitos e 600 covas abertas diariamente nos cemitérios de São Paulo, foram algumas mencionadas pelo vice-presidente do Sindsep, João Gabriel Buonavita. “Acabou de sair um levantamento, 10 mil pessoas morreram de Covid em casa, sem conseguir chegar a um leito hospitalar. Temos pessoas com 30%, 40%, 50% de seus pulmões comprometidos e em casa porque não há leitos nos hospitais para interná-las”, disse a dirigente do Sindsep e servidora do HSPM, ao relatar que ao ser cobrado recentemente na prestação de contas sobre a compra de testes RT-PCR para rastrear os assintomáticos, o secretário de Saúde Edson Aparecido disse que era muito caro e preferia investir os recursos em vacina. “Ele preferiu investir em nada, porque não temos testes e nem vacinas”. Para ela, a retomada das aulas presenciais é uma escolha para matar pessoas.


Ato lembrou dos profissionais que, infelizmente, faleceram pelo descaso da Prefeitura durante a pandemia

De acordo com a Secretaria Municipal da Educação, todas as 4 mil escolas municipais estão abertas independentemente de receber alunos, a presença não é obrigatória e joga para os pais a decisão dos estudantes voltarem a frequentar as escolas ou seguirem com o ensino a distância. Também alega que o retorno das aulas presenciais, em todas as redes, tem o aval das autoridades de saúde e segue todos os protocolos. “Nenhuma autoridade sanitária apareceu até hoje para dizer que a escola está liberada para funcionar. Diante disso nós nos posicionamos contra a retomada das aulas presenciais e pela continuidade da greve”, ressalta Flávia Anunciação, conselheira de Saúde.

Lideranças e trabalhadores da Educação em greve denunciaram que o compromisso dos governos é com banqueiros e empresários, portanto inimigos do povo. “Você, mãe, que não está participando, não está calada, quando seu filho morrer o governo não irá na sua casa, terá que enterrar seu filho. Estamos vivendo num país que perdeu a moral, o governo faz o que quer e o brasileiro tá apanhando porque se cala, porque há internet para abrir a boca. Não vou mandar meu filho pra escola, porque não há médicos preparados para ajudar nenhuma família no Brasil. As mães que tem seus filhos especiais sofrem com a exclusão de tudo que se pode imaginar [direitos]. Nas favelas, as pessoas estão sofrendo também porque não receberam chip, tablet pra estudar em casa. Onde está isso, porque meu filho não recebeu, onde está esse dinheiro que o governo diz ter liberado? A gente vai receber um auxílio-emergencial que faz vergonha. Os profissionais de Educação não são obrigados a voltar para a escola, porque tem famílias”, defendeu Claudemara, mãe da aluna Vitória, com síndrome de William, que já teve Covid e assim como a filha é assintomática. “Nós, mães, podemos falar, então abram os olhos. Vigiem na hora de seu voto!”

Várias pessoas em situação de rua também se animaram e fizeram uso do microfone para denunciar a fome, violência e negligência que estão enfrentando nos últimos anos no Brasil pelos governos Bolsonaro, João Doria e Bruno Covas.

De acordo com João Gabriel Buonvita, dirigente do Sindsep, as denúncias de pessoas em situação de rua, que vem crescendo de forma expressiva, é mais uma prova da tragédia social. “Fechamos o mês de março com mais de 5 mil mortes pela Covid no município de São Paulo, quase o triplo de fevereiro e perto de dez vezes o que tivemos em novembro, o que mostra que a pandemia está crescendo, está fora de controle. E é por isso que a greve continua e seguimos mobilizados”.


João Gabriel Buonavita em fala durante Ato

O dirigente também comentou o lançamento da campanha pelo Fundo de Greve, organizada pelo Sindsep, comandos das cinco DREs e outros sindicatos que compõem o Fórum de Entidades, pelo Catarse https://www.catarse.me/grevepelavida, para colaborar com os trabalhadores que tiveram seu salário cortado por aderirem à greve a partir de 10 de fevereiro, mas também com ações de combate à fome na cidade de São Paulo e no Brasil. “Desde as mais conhecidas, como a ‘Tem gente com fome’, assim como outras que estão sendo realizadas pelo MST e de trabalhadores da agricultura familiar”, explica o presidente do Sindsep, Sérgio Antiqueira, no vídeo da campanha, que traz dezenas de trabalhadores da Educação e lideranças sindicais.

Título: Contra a volta às aulas sem segurança, Greve da Educação pela Vida prossegue em São Paulo, Conteúdo: Profissionais da Educação Municipal estiveram na manhã desta segunda (12) em protesto contra decisão do prefeito Bruno Covas em retomar as aulas presenciais mesmo diante de hospitais cheios, sem leitos de UTI e enfermarias. No domingo, foram registradas mais de 500 mortes por Covid em 24h, mas nesta segunda o governo regrediu a fase emergencial para a vermelha, que inclui entre outras medidas aulas presenciais. A Greve na Educação pela Vida completou 62 dias denunciando a prefeitura, que ameaça conduzir trabalhadores a um retorno sem condições de segurança sanitária para a vida de estudantes e profissionais da educação. “Em 62 dias de greve o prefeito Covas não conseguiu escutar a gente, quem sabe com 200 metros quadrados de faixa ele entende: é greve pela vida”, ironizou a professora do CEU Butantã, Lira Ali, referindo-se à faixa de 50 metros de largura estampando a frase: “Covas Genocida”. O ‘faixaço’, feito pelos comandos de greve e Sindsep, foi afixado no Viaduto do Chá, a alguns metros da janela do gabinete do prefeito. Sabrina Teixeira, professora da EMEF CEU Butantã, que integra o Comando de Greve do Butantã anunciou que a greve continua. “É impossível ter retorno das aulas presenciais em meio a esse descontrole da pandemia. O que precisamos nesse momento é vacina para todo mundo, teste RT-PCR para saber quem está doente e precisa ser isolado, além do rastreamento dos casos assintomáticos. Somente isolando o vírus é que a gente vai conseguir caminhar para o controle da pandemia. Enquanto não tiver condições sanitárias, a curva de mortes e casos estiver no alto, vamos seguir protegendo vidas, porque a nossa greve é pela vida e condições de trabalho”, justificou. Jaelson, supervisor escolar da DRE do Campo Limpo, criticou a limitação da vacinação para a retomada das aulas presenciais. “Há uma janela de pelo menos 15 dias para se ter imunidade após a 1ª dose da vacina, segundo os cientistas, e o Bruno e o Doria já querem que funcione tudo. Não é possível, a situação é gravíssima, a pandemia não está cedendo e se tiver o retorno das aulas presenciais ai que irá aumentar”, avalia o educador ao enfatizar que o protesto busca também conscientizar população e os governantes sobre o “óbvio”. A falta de leitos e 600 covas abertas diariamente nos cemitérios de São Paulo, foram algumas mencionadas pelo vice-presidente do Sindsep, João Gabriel Buonavita. “Acabou de sair um levantamento, 10 mil pessoas morreram de Covid em casa, sem conseguir chegar a um leito hospitalar. Temos pessoas com 30%, 40%, 50% de seus pulmões comprometidos e em casa porque não há leitos nos hospitais para interná-las”, disse a dirigente do Sindsep e servidora do HSPM, ao relatar que ao ser cobrado recentemente na prestação de contas sobre a compra de testes RT-PCR para rastrear os assintomáticos, o secretário de Saúde Edson Aparecido disse que era muito caro e preferia investir os recursos em vacina. “Ele preferiu investir em nada, porque não temos testes e nem vacinas”. Para ela, a retomada das aulas presenciais é uma escolha para matar pessoas. Ato lembrou dos profissionais que, infelizmente, faleceram pelo descaso da Prefeitura durante a pandemia De acordo com a Secretaria Municipal da Educação, todas as 4 mil escolas municipais estão abertas independentemente de receber alunos, a presença não é obrigatória e joga para os pais a decisão dos estudantes voltarem a frequentar as escolas ou seguirem com o ensino a distância. Também alega que o retorno das aulas presenciais, em todas as redes, tem o aval das autoridades de saúde e segue todos os protocolos. “Nenhuma autoridade sanitária apareceu até hoje para dizer que a escola está liberada para funcionar. Diante disso nós nos posicionamos contra a retomada das aulas presenciais e pela continuidade da greve”, ressalta Flávia Anunciação, conselheira de Saúde. Lideranças e trabalhadores da Educação em greve denunciaram que o compromisso dos governos é com banqueiros e empresários, portanto inimigos do povo. “Você, mãe, que não está participando, não está calada, quando seu filho morrer o governo não irá na sua casa, terá que enterrar seu filho. Estamos vivendo num país que perdeu a moral, o governo faz o que quer e o brasileiro tá apanhando porque se cala, porque há internet para abrir a boca. Não vou mandar meu filho pra escola, porque não há médicos preparados para ajudar nenhuma família no Brasil. As mães que tem seus filhos especiais sofrem com a exclusão de tudo que se pode imaginar [direitos]. Nas favelas, as pessoas estão sofrendo também porque não receberam chip, tablet pra estudar em casa. Onde está isso, porque meu filho não recebeu, onde está esse dinheiro que o governo diz ter liberado? A gente vai receber um auxílio-emergencial que faz vergonha. Os profissionais de Educação não são obrigados a voltar para a escola, porque tem famílias”, defendeu Claudemara, mãe da aluna Vitória, com síndrome de William, que já teve Covid e assim como a filha é assintomática. “Nós, mães, podemos falar, então abram os olhos. Vigiem na hora de seu voto!” Várias pessoas em situação de rua também se animaram e fizeram uso do microfone para denunciar a fome, violência e negligência que estão enfrentando nos últimos anos no Brasil pelos governos Bolsonaro, João Doria e Bruno Covas. De acordo com João Gabriel Buonvita, dirigente do Sindsep, as denúncias de pessoas em situação de rua, que vem crescendo de forma expressiva, é mais uma prova da tragédia social. “Fechamos o mês de março com mais de 5 mil mortes pela Covid no município de São Paulo, quase o triplo de fevereiro e perto de dez vezes o que tivemos em novembro, o que mostra que a pandemia está crescendo, está fora de controle. E é por isso que a greve continua e seguimos mobilizados”. João Gabriel Buonavita em fala durante Ato O dirigente também comentou o lançamento da campanha pelo Fundo de Greve, organizada pelo Sindsep, comandos das cinco DREs e outros sindicatos que compõem o Fórum de Entidades, pelo Catarse https://www.catarse.me/grevepelavida, para colaborar com os trabalhadores que tiveram seu salário cortado por aderirem à greve a partir de 10 de fevereiro, mas também com ações de combate à fome na cidade de São Paulo e no Brasil. “Desde as mais conhecidas, como a ‘Tem gente com fome’, assim como outras que estão sendo realizadas pelo MST e de trabalhadores da agricultura familiar”, explica o presidente do Sindsep, Sérgio Antiqueira, no vídeo da campanha, que traz dezenas de trabalhadores da Educação e lideranças sindicais.



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